Os efeitos da Massagem Tântrica no Muladhara

Sabemos que os chakras são centros de focalização e intensificação de energia do corpo. Quando comparamos os mapas que foram feitos a respeito dos meridianos de energia – seja uma leitura chinesa da acupuntura ou uma visão ayurvédica – fica fácil relacionar o circuito elétrico visto por essas medicinas com o nosso sistema nervoso completo, central e periférico, vegetativo e voluntário.

Sabemos também que a massagem tântrica atua no sistema nervoso, produzindo mais bioeletricidade no sistema orgânico. Essa energia é usada pelo corpo tanto no processo de sensibilização quanto no processo de cura.

Como que esse processo se desenrola ao longo de um tratamento com a terapia tântrica?

Sintomas mais comuns

O que percebemos com bastante frequência trabalhando com o Tantra é que a sexualidade não saudável traz sintomas para o corpo físico.

Muitos procuram negligenciar a própria sexualidade, fazendo pouco caso ou repetindo pra si que não precisam dessa energia tanto quanto os outros. Esse tipo de postura – que muitas vezes pode esconder um trauma ou uma tensão crônica entrando no caminho do comportamento – vai, pouco a pouco, desligar todo o bom funcionamento neuromotor e bioquímico da sexualidade.

O nosso corpo aprende por repetição. Quando ele nota que algo não está sendo utilizado ele para de prestar atenção e de desenvolver aquilo. Da mesma forma, aquilo que treinamos se desenvolve. É muito comum em pessoas que seguiram pelo caminho do anestesiamento da sexualidade, notarmos uma rigidez muscular, uma temperatura mais fria que o restante do corpo e até um grau de dessensibilização muito alto na região do quadril, na musculatura pélvica. A pessoa tem o quadril duro, não consegue rebolar, tampouco tem o molejo necessário para movimentos fluídos com essa musculatura.

Da mesma forma existem pessoas que sofreram experiências que as levaram a serem extremamente sexualizadas. Seduzem o tempo todo, provocam o ambiente com sua sexualidade o tempo todo. Homens que “não podem ver um rabo de saia” são um exemplo clássico desse comportamento.

O que vemos na terapia tântrica é esse perfil de homem alfa desenvolver uma compulsão por masturbação, pornografia, repetir experiências sexuais sem muita profundidade e conexão e fazer do sexo quase que uma evacuação. Dessa forma o corpo nunca se sente plenamente satisfeito e o comportamento em direção da sexualidade se torna neurótico.

Tanto no primeiro caso quanto no segundo, mais do que pensarmos se existe muita ou pouca energia na região – porque podemos ter a impressão de pouca energia, sendo que ela está presa, acumulada na forma de tensão – podemos pensar em desequilíbrio. Qualquer um desses casos, que se encontram em espectros sintomáticos bem diferentes, carece de reestruturação da homeostase energética. E pra isso a massagem tântrica é fenomenal.

Como o Muladhara reage à massagem tântrica?

O Muladhara já começa a ser trabalhado na meditação tântrica que abre espaço para a massagem acontecer. Misturando técnicas de respiração, visualização, movimento e bandhas, criamos uma experiência sensorial e meditativa de conexão com o Muladhara. O corpo começa a direcionar uma carga maior de energia e fluxo sanguíneo para esse centro. A região esquenta, fica mais sensível.

Conforme os toques da massagem vão se desenrolando é possível intensificar o direcionamento da energia para esse ponto, seja com toques sutis que trabalham a condução bioelétrica, seja com toques mais profundos que provocam ativação e relaxamento muscular.

Assim que a região acorda é comum entrarmos em contato com sensações, emoções, memórias, enfim, todo o aparato sensorial do corpo é sensibilizado. E daí tudo pode acontecer, inclusive nada.

Site com tudo sobre os chakras

O Site Chakras.net tem um trabalho de pesquisa e artístico sobre os chakras que eu acho maravilhoso. Dêem uma olhadinha na página que eles fizeram sobre o Muladhara: https://www.chakras.net/energy-centers/muladhara/about-the-muladhara-chakra

Quando a energia flui sem obstruções pelo Muladhara Chakra nos sentimos com força e mobilidade na região do quadril, recuperamos a sensibilidade e a flexibilidade da pelve e permitimos que a energia sexual se movimente livremente.

Muladhara e a expressão sexual

O despertar de mooladhara chakra é muito importante, em primeiro lugar porque é a sede de Kundalini e, em segundo lugar, como é o reservatório de grande Tamas. Todas as paixões são armazenadas em mooladhara, toda a culpa, todos os complexos e cada agonia tem sua raiz no mooladhara chakra.

Este Chakra está fisiologicamente relacionado aos órgãos excretores, urinário, sexual e reprodutivos. É muito importante para todas as pessoas despertarem este chakra e sair dele. O homem da vida, seus desejos, suas ações e suas realizações, são controladas pelos desejos sexuais, e tudo o que ele faz na vida é uma expressão do chakra menor. Nossos menores samskaras e karmas estão embutidos ali, como em encarnações menores, sendo todo um conjunto que se fundamenta sobre a personalidade sexual. Dr. Sigmund Freud também enfatizou este ponto. Ele disse que uma seleção de roupas, alimentos, amigos, mobiliário e decoração do lar, etc, tudo é influenciada pela sua consciência sexual.

Todos os esquizofrênicos e neuróticos e muitos malucos que estão presos com complexos de culpa são pessoas que não têm sido capazes de chegar a Shakti por mooladhara chakra. Como resultado disso, as suas vidas estão desequilibradas.

A satisfação sexual e as frustrações controlam a nossa vida sexual. Se o instinto sexual for removido da vida, tudo muda. Frequentemente nós reagimos a vida sexual por conta da experiências amargas e juramos que não seguiremos o mesmo caminho novamente. Estamos fartos e por conta disso dizemos, “Não mais”. Mas isto não é solução, é apenas uma reação e não a estrutura permanente da nossa mente.

A menos que mooladhara chakra seja purificado, seu correspondente no centro do cérebro vai sempre ser tamasico. Podemos viver o mesmo tipo de vida que nós temos hoje, mas podemos torná-lo muito melhor. Relações sexuais não são um pecado, mas a consciência deve despertar o objetivo e todo o ato deve ser transmutado. Foi claramente explicado no tantra que a finalidade do ato sexual é triplo, e estes triplos efeitos dependem do nível e frequência de cada mente. Algumas pessoas praticam-no para procriação, porque é aí que está a sua mente. Outros praticam-no só por prazer, pois é o nível da sua mente. E algumas pessoas praticam-no para abrir a janela para samadhi. Eles não se importam com a procriação ou o cumprimento da paixão, eles estão apenas preocupados com a experiência do despertar e a sublimação desta energia. Através dessa experiência é que se abre o centro superior. Portanto, aqueles que praticam o ato sexual normal devem despertar mooladhara chakra primeiro. Além disso, através do ato sexual, uma mulher pode despertar mooladhara e swadhisthana chakras se o seu parceiro for um Yogi. Geralmente, para esses chakras despertar em um corpo de homem, ele terá de praticar Kriya Yoga e técnicas tais como vajroli.

Há outra coisa importante que todos devem compreender. Uma pessoa que controla seus impulsos inferiores, um yogue que está praticando um sadhana elevado, não tem que desistir do seu parceiro e da relação do casal. Se você acha que você deve ser um Yogi e desistir de sexo, por que você também não desiste de comer e de dormir? Yoga não tem nada a ver com desistir destas coisas; isto são coisas de quem está preocupado em transformar seus objetivos e intenções.

O maior erro humanidade há milhares de anos é fazer com que o homem venha a lutar contra ele mesmo. Ele quer renunciar ao sexo, mas ele não foi capaz de fazê-lo. Por isso, é importante que o despertar de mooladhara ocorra. Então sua mente deve fazer-se totalmente livre.

Os chakras em perspectiva

Os yogues nos dizem que os chakra se encontram ao longo da medula espinhal, que mooladhara se encontra no períneo e os outros chakras ascendem em direção a sahasrara, que é o ápice da evolução do homem e da consciência. Ajna chakra é o mais elevado centro em que o homem sente que ele existe separado do universo. A união, ou consciência cósmica, ocorre em sahasrara. Ajna é o chakra controlador, o guru centro onde os comandos são ouvidos.

A neurofisiologia aponta que existem centros no cérebro que se estende para cima, a partir do bulbo para a área tálamo/pineal, área que corresponde à clássica descrição dos chakras como dito pelos yogues. Podemos dizer que, dentro do cérebro, todos estes produtos estão sob controle de ajna, que são as camadas de evolução dentro de ajna, e conforme cada chakra desperta na espinha, isso afeta o nível de consciência desperta e ativa em ajna. A área tálamo/pineal representaria aquela parte do cérebro que é mais desperta e completamente ativada pelo despertar total de ajna chakra, enquanto a área do bulbo é aquela parte que corresponde à área de mooladhara chakra. Isto deveria explicar a estreita ligação entre mooladhara e ajna; que o despertar de um conseqüentemente desperta o outro.

Em muitas pessoas, ajna chakra, a área tálamo/pineal está adormecida. Viver em mooladhara e swadhisthana significaria, para a maioria, que ajna chakra funciona principalmente no bulbo, o cérebro reptiliano. Somente quando estimulamos e despertamos os centros pelo yoga, iremos pular os níveis em nosso sistema nervoso e despertar a consciência superior, a área tálamo/pineal e os seus níveis concomitantes de consciência. Quando ida e pingala se fundem em ajna, a energia flui de muladhara até ajna, do bulbo até a área tálamo/pineal.

Existem muitas técnicas pelas quais podemos trabalhar em ajna chakra, tais como shambhavi mudra, trataka, japa mantra, nadi shodhana e bhramari pranayama, só para citar alguns. Quando dizemos que estas técnicas estão estimulando ajna chakra, estamos realmente afirmando que, de alguma forma, estamos estimulando a integração e a localização central da área tálamo/pineal e, assim, despertando nossas funções normalmente adormecidas, elevado intelecto/emoção, lógico-intuitiva. Eles estimulam os elementos superiores de ajna e elevam a nossa consciência para além do estado inferior, o bulbo reptiliniano. As técnicas para equilíbrio do funcionamento de nosso complexo e total cérebro/mente, ida e pinala, focam e estimulam a área central, e preparam o terreno para o despertar de Kundalini.

Curso de Massagem Tântrica – energizando o Muladhara

Existem uma série de práticas nos textos antigos que direcionam a energia do corpo para o nosso chakra básico – visualizações, meditações, mantras, movimentos, asanas, mudras, enfim, existe todo um sistema codificado para encher esse chakra de energia e liberar as dores e traumas que causam o desequilíbrio desse ponto.

Uma das grandes oportunidades que tive foi durante um curso de massagem tântrica que fiz no começo de 2002. As práticas neotântricas que foram utilizadas começavam o despertar da sensibilidade energizando esse chakra especificamente.

Com técnicas variadas – cada uma com um grau específico de conotação ou qualidade sexual – aprendemos a meditar enquanto pulsamos energia para o centro básico do sistema energético do corpo.

Uma das técnicas que usamos foi uma meditação de Osho chamada Chakra Loop. Um trabalho não tão popular quando a sua meditação dinâmica, mas que faz com que percebamos as diferentes qualidades de conexão desse centro energético. Conectar muladhara e swadhistana traz qualidades bem diferentes para a nossa experiência do que conectar o muladhara com o sahasrara, por exemplo.

Nesse curso a gente também vivenciou muitas técnicas de massagem tântrica, sejam aquelas que espalham energia sexual pela superfície, sejam aquelas que intensificam a bioenergia por meio da sensibilidade genital. Essas últimas conectam diretamente a musculatura parassimpática associada ao muladhara chakra, trazendo uma energização intensa para esse centro. É comum a região pélvica esquentar, vibrar e desenhar movimentos mais fluidos e menos rígidos, conforme brincamos com as técnicas.

Durante o curso fizemos técnicas de meditação ativa e uma série de trocas de massagens tântricas, tanto homens com mulheres quanto polaridades homoafetivas. É impressionante a diferença da qualidade do toque quando a polaridade toca a orientação sexual do interagente. Como é difícil para homens hétero se deixar serem tocados de qualquer forma por outro homem, mesmo quando não existe nenhuma conotação sexual.

O muladhara nas palavras de Sir John Woodrofe

Mūlādhāra é um espaço triangular na porção mediana do corpo, com o ápice voltado para baixo, como a yoni de uma jovem. Ele é descrito como um lótus vermelho de quatro pétalas, situado entre a base do órgão sexual e o ânus. ―Terra‖ evoluído da ―água‖ é o Tattva do Cakra. Sobre as quatro pétalas estão os quatro Varnas dourados – Vaṃ, śaṃ, aṃ e saṃ.

Nas quatro pétalas apontadas para as quatro direções (Ῑśāna etc) estão as quatro formas de bem-aventurança – yogānanda (yoga bem aventurança), paramānanda (suprema bem aventurança), sahajānanda (natural bem aventurança) e virānanda (vira bem aventurança).

No centro deste lótus está o Svayaṃbhū-linga, marrom avermelhado, como a cor de uma folha jovem. Citriṇī-nāḍī está figurada como um tubo, e a abertura no final da base do linga é chamada de porta de Brahman (Brahma-dvāra), através da qual a Devi ascende. O lótus, linga e brahma-dvāra, estão pendurados para baixo. Devī Kuṇḍalinī, mais sutil do que a fibra do lótus, e tão luminosa quanto o relâmpago, repousa adormecida e enrolada como uma serpente em torno do linga, e fecha com Sua boca a porta de Brahman.

Devī tem formas no Brahmānda. Sua forma mais sutil no piṇḍāṇḍa, ou corpo, é chamada de Kuṇḍalinī, uma forma de Prakṛti permeando, suportando e expressado na forma do universo inteiro; ―o Dançarino Brilhante‖ (como o Śaradatilaka chama) ―na cabeça semelhante ao lótus do yogī‖. Quando despertada, é Ela quem dá à luz ao mundo feito do mantra. Um triângulo vermelho ardente rodeia Savayaṃbhū-linga, e dentro do triângulo está o vermelho Kandarpa-vāyu, ou ar, de Kāma, ou forma do apana vāyu, pois aqui está a sede do desejo criativo.

Do lado de fora do triângulo está um quadrado amarelo chamado de pṛthivi-mandala (terra), ao qual estão ligados os ―oito trovões‖ (a ta-vajra). qui está o Bīja ―Laṃ‖ e dentro dele pṛthivi sobre as costas de um elefante. qui também estão Brahmā e Sāvitrī, e a Śakti Dākinī, vermelha, de quatro mãos.

Conduzindo o Despertar de Muladhara

Quando o despertar ocorre em mooladhara, como o resultado de Yoga ou de outras práticas e disciplinas espirituais, muitas coisas explodem na consciência, da mesma forma que um vulcão em erupção empurra para a superfície coisas que estavam escondidas debaixo da terra. Com o despertar da Kundalini existe simultaneamente o despertar das coisas do campo inconsciente de uma existência humana que não pode ter tido antes consciência do conhecimento absoluto.

Quando mooladhara desperta, um certo número de fenômenos ocorrem. A primeira coisa que muitos praticantes experimentam é a levitação do corpo astral. Alguns têm a sensação de flutuar sobre o espaço, deixando para trás o corpo físico. Isto é devido à energia de Kundalini cuja subida dinâmica faz com que o corpo astral se desloque do corpo físico e se mova para cima. Este fenômeno é limitado ao astral e possivelmente às dimensões do mental, e isso difere do que é normalmente chamado levitação – o deslocamento do corpo físico real.

Além da levitação do corpo astral, por vezes ocorrem algumas experiências de fenômenos psíquicos, como a clarividência ou a clariaudiencia. Outras manifestações incluem movimentos ou intensidade de calor na área do cóccix, ou uma ligeira sensação, como algo se movendo lentamente até a medula espinhal. Estas sensações resultam da ascensão de Shakti ou do despertar de Kundalini. Na maioria dos casos, quando Shakti chega ao manipura chakra, ela começa a descer para mooladhara novamente. Às vezes, o praticante acredita que a energia subiu até o topo da cabeça, mas geralmente apenas uma pequena porção da Shakti é capaz de ultrapassar manipura. Repetidas tentativas fervorosas são necessárias para continuar a ascensão de Kundalini, mas uma vez que Kundalini passa por manipura, sérios obstáculos são raramente encontrados.

No entanto, quando Kundalini ascende de mooladhara para swadhisthana, o sadhaka experimenta um período crucial, em que todas as suas emoções reprimidas, principalmente aquelas de uma natureza mais primitiva, expressam-se. Montanhas de paixões durante este período e todos os tipos de entusiasmo absorvente acontecem, fazendo com que o sadhaka se torne extremamente irritável e instável, por vezes. Ele pode ser visto sentado calmamente em contemplação um momento e no outro arremessando objeto com violência em alguém próximo. Um dia ele pode dormir profundamente durante horas consecutivas, no outro ele pode levantar-se às uma ou duas da manhã para tomar banho e meditar. Ele torna-se muito apaixonado, e altamente tagarela, enquanto que em outros momentos ele é silencioso. Nesta fase, a sadhaka freqüentemente manifesta uma grande inclinação por cantar.

Durante este período de intensa agitação psíquica e emocional, a orientação de um guru qualificado e compreensivo é essencial. Embora algumas pessoas possam considerar este turbilhão emocional como a indicação de uma grande queda, o guru irá assegurar ao aspirante que isto é uma parte essencial da vida espiritual que vai acelerar a sua evolução. Se esta explosão não ocorrer, o mesmo processo de purificação ainda ocorrerá, mas muito lentamente, como problemas surgido no trabalho e vida após vida.

Mooladhara é um dos mais importantes e excitantes centros psíquicos, mas também perturbador que deve ser despertado através das práticas de Kundalini Yoga. Por esta razão, o despertar da ajña chakra deve sempre acompanhar o despertar de mooladhara. As faculdades mentais do ajña chakra dão ao praticante uma capacidade para testemunhar os acontecimentos do despertar de mooladhara objetivamente, com maior compreensão. Isto torna todo a experiência menos traumática e perturbadora.

Quando ajña é despertado, você achará mais fácil de despertar mooladhara chakra. A mente ordinária pode se concentrar neste centro e manipulá-lo com facilidade. Como seu corpo e mente começam a romper os laços animalizados, a sua consciência se expande e você se torna capaz de prever a maior possibilidade do seu potencial criativo.

Quem é esse tal de Muladhara

A palavra sânscrita moola significa “raiz ou fundação” e é isto que precisamente este Chakra é. Mooladhara está na raiz do sistema de chakras e suas influências estão na raiz de toda a nossa existência. Os impulsos de vida sobem através do corpo como a flor mais ampla se expande de nossa consciência na região conhecida como sahasrara. Parece um grande paradoxo que esta terreno e mais básico dos chakras nos guia para a mais alta consciência.

Na filosofia Samkhya, o conceito de mooladhara é entendido como moola prakriti, a base transcendental da natureza física. O universo inteiro e todos os seus objetos devem ter algum fundamento pelo o qual evoluem e pelo qual eles retornam após sua dissolução. A fonte original de toda evolução é moola prakriti. Mooladhara, como base de moola prakriti, é responsável por tudo que se manifesta no mundo do nome e da forma.

No tantra, mooladhara é a sede de Kundalini Shakti, a base a partir da qual a possibilidade de maior realização surge. É dito que este grande potencial está adormecendo na forma de uma serpente enrolada. Quando desperta, ela faz o seu caminho ascendente através de sushumna Nadi, na medula espinhal, até chegar a sahasrara onde a derradeira experiência de iluminação ocorre. Portanto, o despertar de mooladhara é considerado de grande importância em Kundalini Yoga.

A localização do ponto

A sede da mooladhara no corpo masculino está superficialmente localizado no interior do períneo, no caminho entre o escroto e o ânus. É o aspecto interior do complexo de nervos que transporta todos os tipos de sensações e está imediatamente conectado com os testículos. No corpo feminino, mooladhara chakra situa-se na face posterior do colo do útero.

Em ambos os órgãos sexuais masculino e feminino, existe uma glândula vestigial em mooladhara chakra o que é algo como um nó. Em sânscrito é conhecido como Brahma granthi; o nó de Brahma. Enquanto este nó permanece intacto, a energia localizada nesta área permanece bloqueada. Mas no momento em que o nó é aberto, Shakti desperta. É apenas quando o indivíduo desperta para a possibilidade da consciência divina, para um maior vigor e propósito do que a vida animal instintiva, que o Brahma granthi começa a afrouxar. A consciência começa a ser liberada a partir do centro da raiz do indivíduo como anseio para o despertar.

Muitas pessoas se sentem hesitantes e se assustam ao crer que Kundalini está no mooladhara chakra e afirmam que ela está no manipura, porque não querem associar a santa Kundalini Shakti com o ímpeto da energia sexual. No entanto, a investigação científica mostra que esta pequena glândula em mooladhara chakra contém energia infinita e muitas experiências psíquica e espiritual provêm de mooladhara. Só porque está mooladhara situado na região sexual, isto não o torna um centro impuro.

Simbologia Tradicional

Mooladhara chakra é tradicionalmente representado por uma flor lótus com quatro pétalas carmesim escuro. Em cada pétala tem uma letra: vam, sham, sham, sam escritas em ouro.

No pericarpo tem um quadrado amarelo, símbolo do elemento terra, cercado por oito lanças douradas – quatro em cada canto e quatro em cada ponto cardeal. Diz-se que representam as sete montanhas Kula no fundamento basico da terra.

O quadrado amarelo dourado, Yantra do elemento terra, é suportado por um elefante com sete trombas. O elefante é o maior de todos os animais terrestres e possui grande força e solidez. Estes são os atributos de mooladhara – um grande poder inativo, descansando em um lugar completamente estável e sólido. As sete trombas do elefante denotam os sete minerais que são vitais para a função física; em sânscrito são conhecidos como sapta dhatu. As sete trombas do elefante é o veículo da grande mente, a grande criatividade.

Sobre as costas do elefante, no centro do quadrado, tem um triângulo vermelho escuro invertido. Este é o símbolo da Shakti ou energia criativa, que é responsável pela produtividade e pela multiplicidade de todas as coisas. Dentro do triângulo está o swayambhu ou dhumra Linga, na cor cinza esfumaçado. Próximo deste Linga, que representa o corpo astral, Kundalini está enrolada três vezes e meia, sendo o seu brilho como o de relâmpagos. Três representa as três gunas ou qualidades da natureza em um indivíduo. Enquanto as três gunas estão ativas, a individualidade está funcionando dentro do confinamento do ego. A meia volta representa transcendência.

No tantra esta serpente enrolada é conhecida como Mahakala, tempo grande ou interminável. Aqui Kundalini repousa no ventre do inconsciente, além do tempo e do espaço. Quando Kundalini começa a se manifestar, penetra nas dimensões da personalidade e da individualidade, e fica-se sujeito ao tempo e ao espaço. Este é o despertar da grande potência da serpente dentro de cada forma individual, moldura e consciência do ser humano. No entanto, na maioria das pessoas ela está adormecida. No seu estado desperto Kundalini Shakti representa a nossa potencia espiritual, mas em seu estado latente representa nível de vida instintivo que apoia a base nossa existência. Ambas as possibilidades residem no mooladhara.

Descansando no topo do triângulo invertido está o bija mantra lam. Dentro do bindu, sobre o mantra, reside o elefante Deva Ganesha e Devi Dakini, que tem quatro braços e olhos brilhantes e vermelhos. Ela é resplandecente como o brilho de muitos sóis nascendo ao mesmo tempo. Ela é a portadora eterna da inteligência pura.

O tanmatra ou sentido associado com mooladhara é o cheiro, e é aqui que os cheiros psíquicos são manifestados. O gyanendriya ou órgão sensorial é o nariz, e os karmendriya, órgão da atividade, é o ânus. O despertar de Mooladhara é muitas vezes acompanhado por sensações de coceira ao redor do cóccix ou ânus, e o olfato torna-se tão agudo que os odores repugnantes são difíceis de suportar.

Mooladhara é o interruptor direto para despertar ajña chakra. Pertence ao bhu loka, o primeiro plano da existência mortal e é o principal centro de apana. Mooladhara é também o sede do annamaya Kosha, o órgão de alimentação, relacionado com a absorção dos alimentos e a evacuação de fezes.

Ao meditar sobre Kundalini em mooladhara chakra, a pessoa se torna senhor do discurso, um rei entre os homens e um perito em todos os tipos de aprendizagem. Ele se torna livre de todas as doenças e ele permanece alegre em todos os momentos.

Equilíbrio entre os nadis

Mooladhara é a base a partir dos qual os três principais canais psíquicos ou nadis emergem e fluem até a medula espinhal. Diz-se que ida, a força mental, emerge a partir da esquerda do mooladhara; pingala, a força vital, a partir da direita, e sushumna, a força espiritual, a partir do centro. De acordo com o tantra, este ponto de emanação é muito volátil. Quando as forças positiva e negativa de ida e pingala estão totalmente equilibradas, um despertar aqui estará suscitando o despertar de Kundalini adormecida. Normalmente, este estado de equilíbrio entre As Nadis ida e pingala só pode ser atingido esporadicamente e por curtos períodos de tempo. Isto pode ser suficiente para desencadear um despertar, mas apenas levemente, no qual Kundalini sobe até swadhisthana ou manipura, e então retorna para baixo, para mooladhara novamente.

Portanto, as práticas de Hatha Yoga, particurlamente as de Pranayama, são muito importante em Kundalini Yoga, porque purificam e reequilibram os fluxos psíquicos. Uma vez que o estado de equilíbrio entre ida e pingala se torne estável e permanente, o despertar engendrado no mooladhara torna-se explosivo, Kundalini sobe com grande vigor, superando todos os obstáculos no seu caminho até que chega ao seu destino final no sahasrara.

Pranotthana versus Kundalini

Muitas pessoas têm experiências durante a meditação, quando sentem a subida de Shakti através da medula espinhal de mooladhara para o cérebro. No entanto, na maioria dos casos, este não é o despertar de Kundalini, mas uma libertação do vigor pranico chamado pranotthana. Esta preliminar começa a despertar mooladhara e sobe pela medula espinhal através da Nadi pingala, apenas purificando parcialmente os chakras até atingir o cérebro em que geralmente se dispersa.

Neste tipo de despertar a experiência de Shakti é raramente sustentada. No entanto, isto não prepara o aspirante para o eventual despertar de Kundalini, que é algo completamente diferente e mais poderoso. Após o despertar de Kundalini, o indivíduo nunca mais será o mesmo outra vez. Aqui há uma subida da força acompanhado de um despertar psíquico, que é permanentemente acessível. Mesmo que ele possa cair novamente, o potencial estará sempre lá.