Curso de Massagem Tântrica – energizando o Muladhara

Existem uma série de práticas nos textos antigos que direcionam a energia do corpo para o nosso chakra básico – visualizações, meditações, mantras, movimentos, asanas, mudras, enfim, existe todo um sistema codificado para encher esse chakra de energia e liberar as dores e traumas que causam o desequilíbrio desse ponto.

Uma das grandes oportunidades que tive foi durante um curso de massagem tântrica que fiz no começo de 2002. As práticas neotântricas que foram utilizadas começavam o despertar da sensibilidade energizando esse chakra especificamente.

Com técnicas variadas – cada uma com um grau específico de conotação ou qualidade sexual – aprendemos a meditar enquanto pulsamos energia para o centro básico do sistema energético do corpo.

Uma das técnicas que usamos foi uma meditação de Osho chamada Chakra Loop. Um trabalho não tão popular quando a sua meditação dinâmica, mas que faz com que percebamos as diferentes qualidades de conexão desse centro energético. Conectar muladhara e swadhistana traz qualidades bem diferentes para a nossa experiência do que conectar o muladhara com o sahasrara, por exemplo.

Nesse curso a gente também vivenciou muitas técnicas de massagem tântrica, sejam aquelas que espalham energia sexual pela superfície, sejam aquelas que intensificam a bioenergia por meio da sensibilidade genital. Essas últimas conectam diretamente a musculatura parassimpática associada ao muladhara chakra, trazendo uma energização intensa para esse centro. É comum a região pélvica esquentar, vibrar e desenhar movimentos mais fluidos e menos rígidos, conforme brincamos com as técnicas.

Durante o curso fizemos técnicas de meditação ativa e uma série de trocas de massagens tântricas, tanto homens com mulheres quanto polaridades homoafetivas. É impressionante a diferença da qualidade do toque quando a polaridade toca a orientação sexual do interagente. Como é difícil para homens hétero se deixar serem tocados de qualquer forma por outro homem, mesmo quando não existe nenhuma conotação sexual.

O muladhara nas palavras de Sir John Woodrofe

Mūlādhāra é um espaço triangular na porção mediana do corpo, com o ápice voltado para baixo, como a yoni de uma jovem. Ele é descrito como um lótus vermelho de quatro pétalas, situado entre a base do órgão sexual e o ânus. ―Terra‖ evoluído da ―água‖ é o Tattva do Cakra. Sobre as quatro pétalas estão os quatro Varnas dourados – Vaṃ, śaṃ, aṃ e saṃ.

Nas quatro pétalas apontadas para as quatro direções (Ῑśāna etc) estão as quatro formas de bem-aventurança – yogānanda (yoga bem aventurança), paramānanda (suprema bem aventurança), sahajānanda (natural bem aventurança) e virānanda (vira bem aventurança).

No centro deste lótus está o Svayaṃbhū-linga, marrom avermelhado, como a cor de uma folha jovem. Citriṇī-nāḍī está figurada como um tubo, e a abertura no final da base do linga é chamada de porta de Brahman (Brahma-dvāra), através da qual a Devi ascende. O lótus, linga e brahma-dvāra, estão pendurados para baixo. Devī Kuṇḍalinī, mais sutil do que a fibra do lótus, e tão luminosa quanto o relâmpago, repousa adormecida e enrolada como uma serpente em torno do linga, e fecha com Sua boca a porta de Brahman.

Devī tem formas no Brahmānda. Sua forma mais sutil no piṇḍāṇḍa, ou corpo, é chamada de Kuṇḍalinī, uma forma de Prakṛti permeando, suportando e expressado na forma do universo inteiro; ―o Dançarino Brilhante‖ (como o Śaradatilaka chama) ―na cabeça semelhante ao lótus do yogī‖. Quando despertada, é Ela quem dá à luz ao mundo feito do mantra. Um triângulo vermelho ardente rodeia Savayaṃbhū-linga, e dentro do triângulo está o vermelho Kandarpa-vāyu, ou ar, de Kāma, ou forma do apana vāyu, pois aqui está a sede do desejo criativo.

Do lado de fora do triângulo está um quadrado amarelo chamado de pṛthivi-mandala (terra), ao qual estão ligados os ―oito trovões‖ (a ta-vajra). qui está o Bīja ―Laṃ‖ e dentro dele pṛthivi sobre as costas de um elefante. qui também estão Brahmā e Sāvitrī, e a Śakti Dākinī, vermelha, de quatro mãos.